quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

:: LOW V NECK T-SHIRT: BÁSICA, ATUAL E COM ESTILO



Não é necessário possuir pleno entendimento acerca do mundo da moda para estar automaticamente inserido em seu contexto, ainda que inconscientemente às suas tendências e variações de estilo. Faça o teste: repare na infestação de camisas lisas em gola V desfiladas por homens das mais diversas tribos e estilos. Nas vitrines de consumo, o padrão é o mesmo, ao ponto de certas grifes que, em regra, possuem identidade e marca bem definidas, mesclarem-se numa quase "simbiose a le fahion", devido a semelhança  na exposição de peças-chave que estruturam toda a coleção nas vitrines. A concorrência, neste caso, deixa de fluir pelo estilo único de cada marca a despeito do preço de cada peça, para concorrer apenas nas diferenças de preços finais. A diferença atrativa fica, tão somente, na maioria dos casos, no valor final.



Tendência básica, coringa e conectada com diversas outras tendências, tais como: navy, nude, henley, shredded (estilo rasgado), etc; a LOW V NECK, bem como outros modelos de T-shirts, popularizam-se ainda mais quando fabricados no tecido flamé, em alta desde o inverno passado.




Tradução popular: flamé é aquele tecido fino, com aparência de leve desgaste com pequenas riscas que denotam um ar vintage classic para a vestimenta.




Stores como Osklen, Armadillo, Wollner, Zara, CK, Armani, Triton, Siberian, TNG e tantas outras, apostaram forte nesta tendência que parece uniformizar o estilo de grande parte dos homens. A popularidade e difusão social deste estilo de camisa tornou-se tão forte e presente no dia a dia dos homens que podemos traçar um comparativo paralelo ao universo feminino, afirmando que a LOW V NECK está para o homem da mesma forma que as saias de cintura alta (tulipas), marcadas, estão para a mulher. Ou seja, quase tão indispensáveis quanto cuecas ou calcinhas, respectivamente.



O lado positivo desta tendência padronizada é o despojo, clássico urbano, incorporado pela mesma, já que com tudo combina e adere. Para os mais gordinhos, a dica é não abusar do corte profundo. Procure cortes mais discretos e camisas mais largas, caso contrário provocará um efeito indesejado ao usuário, expondo os quilos a mais a despeito do vintage cool wear style. Importante frisar, que cores quentes também estão em alta, ou seja, abusem do violeta, verde bandeira, vermelho, rosa, azul turquesa, laranja, etc. A moda colorida também combina com a leveza do básico e clássico proposto pelas V NECKS.





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 Moda sem preconceito.































quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

:: CHAPÉU PANAMÁ: SALVE, SALVE, MALANDRAGEM!




Tendência veraneia em destaque nacional e mundo afora, a despeito do nome, o chapéu Panamá, é fabricado no Equador, conhecido por lá como "El fino". A palha, matéria-prima do chapéu, é tecida sempre em tramas fechadas, tendo como característica marcante, a cor clara, variando em diversos formatos.




Com o calor e clima enebriante da estação das paixões arrebatadoras, o "acessório panamá" complementa o visual daqueles que procuram aliar o bem estar ao  despojo da moda contemporânea. Tendência unissex, de estilo despojado e chic, os chapéus panamenses podem ser utilizados em integração harmônica com diversas outras tendências veraneiras, tais como, estampas florais, tecidos monocromáticos, cortes largos, shredded,  lavagens em denim, combinações navy, tie dye e etc.




Sua origem histórica como marco de moda, remonta à primeira década do século passado, mais precisamente em 1906, quando, numa visita ao Panamá, Theodore Roosevelt, presidente norte-americano, desfilou pelo canal utilizando o chapéu em questão. Em razão deste episódio, simples, porém marcante, o chapéu passou a ser denominado "Panamá".  Durante o período da Segunda Guerra Mundial, o uso deste acessório de moda popularizou-se na América, como item de veraneio, largamente utilizado por homens da alta sociedade, denotando o garbo e elegância de seus usuários.




Desde sua primeira "aparição" em 1906, o chapéu panamá já fora utilizado por diversas personalidades reconhecidamente notórias do século passado, quais sejam: Winston Churchill, Kemal Atatürk, Harry Truman, Getúlio Vargas e Tom Jobim. No entanto, um dos pioneiros a aderir a tendência panamá, foi Santos Dumont, que já usava o seu em 1906. Hollywood também comprou a idéia veraneia do chapéu e, galãs como Humphrey Bogart e Clark Gable também desfilaram com os seus.



Getúlio Vargas



No Brasil, a utilização e status do chapéu panamá vai além do conceito de "moda pela moda", sendo também reconhecido como ícone de destaque entre segmentos religiosos e  de costumes locais. No entanto, para o devido alcance acerca da abrangência deste "simples" acessório de moda, iremos retornar a década de 40, mais precisamente ao ano de 1942.




A década de 40, no que tange a sua primeira metade, foi marcada pelos esforços diplomáticos no sentido de reunir um maior número de países aliados com o fim de derrota do regime nazista e, por consequência, término da Segunda Guerra Mundial. Neste contexto, em 1942, Wlat Disney, numa turnê pela América Latina  historicamente conhecida como "Good Neighbor Policy" ou Política da Boa Vizinhança, visitou o Brasil e ficou hospedado no hotel Copacabana Palace, na cidade do Rio de Janeiro.

O desenhista, multimilionário e maçom poderoso, durante sua estadia na cidade maravilhosa, declarou seu encantamento e paixão com o ritmo carioca de alegria, samba, boêmia e malandragem. Dessa forma, como "presente" a receptividade e alegria dos cariocas, Walt Disney criou, na varanda do hotel, um novo personagem Disney, de desenho animado, o Zé Carioca.




A intenção do ocultista, mais do que desenhista, Walt Disney, na criação do papagaio falante era a de representar, através de suas animações, o esteriótipo do brasileiro, mais especificamente, do carioca e suas crenças. A razão da escolha por um papagaio falante é de simples entendimento: o sr. Mickey ficou impressionado com o número de piadas de papagaios falantes que rondavam nos círculos sociais, daí a idéia de um papagaio que fala. No entanto, outras características do pássaro animado, vão além dos princípios de anedotas populares. O espírito do personagem deveria conotar o que mais encantou e chamou a atenção do desenhista em sua breve passagem pelo Brasil. Zé Carioca, além papagaio, tinha outros traços marcantes que não a fala; quais sejam: o chapéu panamá, a roupa vermelha e branca, o pandeiro, o guarda-chuva bengala e seu estilo "malandro" de ser. 

Ora, através desta descrição, não há como discordar de que o papagaio, Zé Carioca, até no próprio nome, confunde-se com a identidade do "malandro" Zé Pelintra, personagem folclórico e espiritual das mitologias afro-brasileiras e regionais da umbanda e do catimbó (ou catimba) não vinculado a entidades de cunho negativo.






Considerado, especialmente entre os umbandistas, como o espírito patrono dos bares, locais de jogo e sarjetas, "Seu Zé" é uma espécie de transcrição arquetípica do "malandro". No seu modo de vestir, Zé Pelintra é representado trajando terno completo na cor branca, sapatos de cromo, gravata grená ou vermelha e chapéu panamá de fita vermelha ou preta. Sempre boêmio, alegre e faceiro, o malandro "Seu Zé" é marcado por sua ginga no samba e molejo carioca, "papo doce", estilo galanteador e gíria popular.

Desta forma, além de emblema político, marco de moda ou acessório de status social, o chapéu panamá, ainda que fabricado no Equador, possui facetas e simbologias diversas no contexto da moda, política, religião e estilo de vida.


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          Moda além da moda.































































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